Como Utilizar o Flipbook de Comunicação Alternativa com Crianças Não Verbais?
A comunicação é essencial para expressar desejos, sentimentos, necessidades e opiniões. No entanto, algumas crianças autistas não utilizam a fala oral ou apresentam dificuldades para se comunicar verbalmente. Isso não significa que não tenham o que dizer. Elas precisam de recursos que tornem a comunicação mais acessível, respeitando suas habilidades e particularidades.
O flipbook de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) da Psicodidática foi desenvolvido para auxiliar nesse processo, oferecendo símbolos, imagens e palavras que ajudam a criança a expressar suas necessidades e participar de diferentes situações do cotidiano.
O que é o flipbook de Comunicação Alternativa?
O flipbook é um material organizado em páginas com símbolos de comunicação, perguntas, categorias e palavras utilizadas no dia a dia. Ele reúne elementos que podem ajudar a criança a comunicar o que deseja, responder a perguntas, identificar pessoas, expressar sentimentos e interagir com outras pessoas.
Entre os recursos apresentados, estão símbolos relacionados a ações, lugares, pessoas, tempo, sentimentos e palavras essenciais, como “quero”, “ajuda”, “não”, “mais” e “de novo”.
Essa organização permite que familiares, professores e terapeutas encontrem diferentes possibilidades de comunicação em um único material.
Como aplicar o flipbook com crianças não verbais?
A aplicação deve acontecer de maneira natural, durante as atividades cotidianas. O objetivo não é fazer a criança memorizar símbolos, mas oferecer oportunidades reais para que ela compreenda como utilizá-los para se comunicar.
1. Comece pelas necessidades da criança
Observe quais situações fazem parte de sua rotina. Durante o lanche, por exemplo, apresente símbolos relacionados a alimentos, bebidas e ações como “quero” e “mais”. Em uma brincadeira, utilize palavras como “de novo”, “parar” e “ajuda”.
2. Modele o uso dos símbolos
O adulto pode apontar para os símbolos enquanto fala, demonstrando como o flipbook funciona. Se a criança estiver brincando com um brinquedo, você pode apontar para “quero” e, em seguida, para o símbolo correspondente ao objeto.
Essa prática, conhecida como modelagem de linguagem, ajuda a criança a observar como os símbolos podem ser utilizados em situações reais.
3. Respeite o tempo de resposta
Depois de apresentar uma possibilidade de comunicação, aguarde. Algumas crianças precisam de mais tempo para observar, compreender e responder. Evite insistir excessivamente ou transformar a atividade em um teste.
4. Valorize todas as formas de comunicação
A criança pode apontar, tocar em um símbolo, olhar para uma imagem ou utilizar outros gestos para demonstrar sua intenção. Reconhecer essas tentativas é fundamental para incentivar novas oportunidades de comunicação.
5. Utilize o material em diferentes ambientes
O flipbook pode ser utilizado em casa, na escola e em atendimentos terapêuticos. Quando as pessoas que convivem com a criança compartilham estratégias semelhantes, ela encontra mais oportunidades de utilizar a comunicação no cotidiano.
Qual é o papel da família e dos profissionais?
Familiares, professores, fonoaudiólogos e outros profissionais podem trabalhar em conjunto para identificar os símbolos mais relevantes e adaptar o uso do material às necessidades individuais da criança.
É importante lembrar que a Comunicação Aumentativa e Alternativa não deve ser utilizada apenas para pedir objetos ou responder a perguntas. Ela também deve permitir que a criança recuse, escolha, compartilhe interesses, expresse emoções e participe das decisões que afetam sua vida.
Conclusão
O flipbook de Comunicação Alternativa da Psicodidática é um recurso que pode ampliar as oportunidades de interação e expressão de crianças não verbais. Quando utilizado com paciência, consistência e respeito, ele ajuda a construir situações em que a criança tem mais possibilidades de ser compreendida.
Toda criança tem o direito de se comunicar. Oferecer recursos acessíveis é reconhecer sua voz, valorizar suas escolhas e contribuir para uma participação mais ativa na família, na escola e na sociedade.


